'Encanto', da Disney, mostra a força da mulher latina em história simples e cativante

 


Encanto: novo filme da Disney já é sucesso (Crédito: Divulgação / Disney)


Finalmente veio aí o novo hit com pitada latino-americana para os estúdios Disney. A 60ª obra do Walt Disney Studios, "Encanto" (em cartaz no Disney +), consegue mesclar a magia presente nas animações da empresa desde "Branca de Neve e os Sete Anões" (1937), mas mostra um pouco que se pode esperar da próxima década.

O primeiro contato que os brasileiros tiveram com “Encanto” foi uma fake news divulgada em 2020, de que a história se passaria por aqui. O boato foi rapidamente desmentido por Lin-Manuel Miranda, um dos responsáveis pela obra. Ainda não era a vez de o Zé Carioca ganhar um sucessor. No entanto, mesmo que a história da família Madrigal se passe no país vizinho, o enredo facilmente poderia ser transportado para outros países da América Latina, inclusive para o Brasil.

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No filme, Alma Madrigal (María Cecilia Botero) recebe uma vela mágica que a ajuda a superar a perda do marido, após dar à luz trigêmeos, em meio a uma perseguição. Como a história não tem um contexto exato definido, o período tem sido apontado como a Guerra dos Mil Dias, ocorrida entre 1892 e 1902 na Colômbia, mas oficialmente nada foi divulgado pela Disney. A tal vela mágica ajuda a matriarca a criar os seus filhos e uma vila segura para eles e seus conterrâneos, chamada de Encanto.

Passam-se 50 anos da benção até que os eventos do filme se desenrolam. Duas das filhas de Alma, Pepa (Carolina Gaítan) e Julieta (Angie Capeda), que têm seus próprios superpoderes, casam-se e têm seus próprios filhos. Cada um deles recebe um dom que deve ser usado para ajudar a vila a prosperar. Todos, menos Mirabel (Stephanie Beatriz) – a protagonista da história.

Embalado por músicas de Lin-Manuel Miranda, “Encanto” lembra muito um musical de palco da Broadway. Principalmente pelo fato de que as canções não apenas fazem a história andar ou estejam lá para entreter: elas cumprem o papel de mostrar as angústias de cada um dos personagens. A mais viciante, “We don't talk about Bruno” chegou a dominar o topo das mais ouvidas no Spotify, e já é o maior sucesso comercial da Disney há mais de vinte anos.

Apesar do sucesso fonográfico, a história demora a se desenrolar e erra em demorar a revelar o “problema” de Mirabel – algo que já estava na primeira sinopse do longa. A falta de um vilão, característica adotada pelas animações Disney já há alguns anos, acaba jogando a alcunha no colo de Alma, a rígida avó que faz de tudo para não perder o que conquistou, e acaba pesando a mão sobre os filhos e netos. Sem muito mistério, logo de cara já se sabe também que Bruno (John Leguizamo) é uma vítima do medo do ser humano em lidar com a realidade, e não um vilão.

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Alma sempre me despertou empatia, desde a primeira cena: ela representa a força das matriarcas latinas, seja na Colômbia ou no Brasil. E isso só se confirma no final do filme. Esse talvez tenha sido um dos poucos elementos que realmente fazem da obra um tributo à América Latina, mais do que qualquer menção aleatória ao café colombiano ou uma representação pouco aproveitada da Amazônia.

“Encanto” é um deslumbre visual, tem personagens cativantes (e vendáveis) e, sem dúvida, agradou a audiência. A obra é bem diferente das histórias mais maduras que o estúdio vinha contando nos últimos anos, como “Raya e o Último Dragão” (2021) e “Frozen 2” (2019), e resgata um pouco da inocência e "alegria solar" de “Moana” (2016) – que também teve participação de Miranda. 

Ainda é preciso observar se a estratégia comercial adotada pela Disney neste lançamento, de manter a visibilidade do cinema por 45 dias e depois disponibilizar em sua plataforma de streaming, foi o grande acerto, ou se todo o frenesi é apenas mérito de Mirabel e sua família. E vamos precisar esperar para saber isso: "Red - Crescer é uma Fera", próximo lançamento da Pixar, vai desviar do cinema e aportar diretamente no Disney +, em março.


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